O investidor iniciante tem muita vontade em fazer seu dinheiro render em algum tipo de aplicação financeira, contudo, nem sempre tem o conhecimento e preparo necessário para tal missão…

Com isso, muitas pessoas acabam se sentindo totalmente perdidas ao começarem a investir, especialmente com relação aos termos (confira aqui o dicionário financeiro que preparamos).

Mas, além disso, há outras coisas que deixam os investidores novatos receosos, tais como as dúvidas sobre o mercado financeiro.

Então, para acabar com esse problema, preparemos este guia com 10 perguntas e respostas para quem está fazendo investimentos e precisa sanar suas dúvidas. Confira!

1. Como começar a investir em ações? 

A primeira coisa é pagar suas dívidas, pois os juros praticados no país são altíssimos, fazendo com que com suas aplicações não consigam o mesmo rendimento.

O próximo passo é poupar dinheiro todos os meses. Para isso, tenha um controle rígido de suas finanças (as planilhas podem ajudar bastante). 

Com dinheiro sobrando mensalmente, abra uma conta em uma corretora de valores. Algumas são independentes e outras ligadas a instituições financeiras.

A sua escolha deve ser baseada em uma corretora de valores que:

  • Garanta bons lucros;
  • Ofereça uma diversidade de produtos financeiros e que esses sejam de qualidade;
  • Tenha todas as certificações da B3;
  • Ofereça um preço corretagem justo;
  • Disponha de um sistema tecnológico estável e uma qualidade elevada de serviço.

Decidindo a melhor corretora, abra uma conta na mesma e envie o dinheiro do seu banco para ela.

Assim, o investidor iniciante começará a investir na bolsa. Para comprar ações da bolsa, é preciso acionar o Home Broker.

2. É vantajoso fazer um empréstimo consignado para investir em ações?

Se você é um investidor iniciante provavelmente já se fez esta pergunta, mas saiba que a resposta é NÃO! 

Atualmente, os empréstimos consignados estão com taxas próximas a 2% ao mês, o que representa cerca de 30% ao ano. 

Para o empréstimo ser lucrativo, seria necessário ter uma rentabilidade de, no mínimo, 30% ao ano no investimento, após impostos. Veja soluções alternativas aqui.

O problema é que os investidores não conseguem manter essa taxa de retorno de maneira consistente em suas aplicações. 

Por essa razão, pedir empréstimo para investir não é recomendado, pois o que acontecerá é que em longo prazo, seu débito irá crescer bem mais rápido que seu patrimônio e assim, você estará regredindo financeiramente. 

Então, somente invista o dinheiro que sobra de suas economias e nunca faça investimentos com dinheiro de dívida.

3. Qual o valor de aplicação mínima para investir na bolsa?

Não há valor mínimo para investir em ações, considerando que não há um regulamento ou lei para isso.

Mas, então, qual o valor indicado para os investidores iniciantes? Bom, a dica é, para quem tem uma reserva financeira sólida, iniciar com R$1.000,00.

Como as corretagens praticadas no Home Broker das corretoras giram em torno de R$20, esse valor representaria 2% dos R$1.000,00 investidos. 

Investir menos que R$1.000,00 levaria a uma corretagem superior a 2%, e essa é a porcentagem máxima recomendada para pagar em uma corretagem.

Isso porque valores acima dos 2% começam impactar significativamente o desenvolvimento da carteira do investidor. 

Contudo, há algumas corretoras hoje em dia que estão isentando seus clientes de corretagem, o que pode ser ótimo para aqueles que dispõem de menos de R$1.000,00 para investir. 

4. É melhor investir em fundos imobiliários ou ações? 

A dica é que com o passar do tempo, após adquirir experiência, você invista nos dois tipos. Mas, enquanto ainda é um investidor iniciante, recomenda-se que inicie com os fundos de investimento imobiliário.

Os fundos imobiliários apresentam características que vão de encontro aos interesses do investidor novato. 

A primeira delas é menor volatilidade comparada às ações, ou seja, os iniciantes devem começar com investimentos menos volátil até se acostumarem com o mercado. 

Outra é a possibilidade de gerar renda todos os meses, pois grande parte dos fundos paga dividendos mensalmente a seus cotistas.  

Agora, se você já tem mais experiência, concentre-se nas melhores oportunidades e não limite sua carteira apenas em uma classe de ativos. 

Por vezes é mais vantajoso investir em ações e em outros momentos em fundos imobiliários. Fique atento ao mercado! 

5. Tendo pouco dinheiro para investir, é melhor comprar mensalmente no fracionário ou juntar para comprar um lote de 100 ações? 

As compras no mercado fracionário são viáveis e fazem bastante sentido, principalmente para o pequeno investidor, que tem um aporte limitado. 

Outro motivo é que nem todas as pessoas conseguem poupar um valor maior para adquirir um lote de ações.

Assim, as corretoras cobrando taxas mais atrativas e até mesmo oferecendo descontos exclusivos para operações no fracionário, nessa modalidade tem se mostrado promissora. 

Além do mais, o mercado fracionário possibilita ao investidor a recorrência em seus aportes, o que o incentiva a manter a disciplina para realizar aportes mensais, por exemplo, deixando-o mais próximo do mercado. 

Até porque juntar dinheiro para comprar ativos no lote padrão pode levar muito tempo e assim, o investidor tende a se desanimar e dar outro destino ao seu dinheiro.

Contudo, vamos lembrar que nem todos os ativos possuem um fracionário líquido, e empresas de menor porte e menos líquidas podem vir a apresentar spreads grandes no fracionário, com valores bem distintos aos ofertados no mercado padrão. 

Nesses casos, é melhor juntar todo o dinheiro necessário para comprar no lote padrão ou esperar os preços do fracionário se alinharem com o do lote, evitando pagar um preço superior ao do mercado.

6. Para os iniciantes, é bom diversificar a carteira em quantas ações? 

O ideal para os novatos em investimentos, especialmente aqueles com menos recursos e que estão criando uma carteira do zero, é formar nos primeiros meses uma carteira de ativos mais concentrada e menos diversificada. 

Isso porque se iniciar com um aporte pequeno, R$400, por exemplo, e decidir diversificar a quantia em mais papéis, é bem provável que tenha que arcar com custos de corretagem, que prejudicarão o retorno em longo prazo. 

Então, nesses casos é indicado concentrar o aporte em apenas uma ação mensal, para que se pague a menor corretagem possível, diluindo ao máximo tais custos.

Conforme os aportes se multiplicam, passa a ser mais interessante diversificar o capital em mais de um papel. Mas, lembre-se de ficar atento para que as taxas de corretagem não passem de 2% do aporte. 

Já para quem deseja iniciar os investimentos com recursos mais elevados (e já possuem valores em renda fixa) é recomendada uma carteira diversificada já no começo, com pelo menos algo em torno de 8 ações e 5 fundos.

7. Como fazer a migração da renda fixa para a variável de maneira conservadora?

O investidor iniciante que cogita fazer essa migração, normalmente, tem receio de estar fazendo um negócio pouco lucrativo, além do fato da alta volatilidade das ações. 

Assim, sugere-se que a migração da renda fixa para a variável seja feita gradualmente, um pouquinho a cada mês. 

Outra sugestão é que a maior parte do capital do investidor seja direcionada para aplicações de renda variável como os FII’s.

Os FII’s, apesar de também serem ativos variáveis, estão lastreados em imóveis (tipo de investimento mais comum entre os brasileiros depois da poupança), apresentam menor volatilidade e entregam ótimos retornos. 

Conforme o investidor vai se habituando a volatilidade das ações e se sentindo mais confortável com o mercado de renda variável, então, a ideia é começar a direcionar seus aportes para a bolsa de valores.

8. É recomendado ter conta em diversas corretoras? 

Essa é uma boa ideia sim, principalmente se você se considerar que algumas corretoras oferecem serviços e produtos distintos entre elas.

Essa diferença em produtos e serviços financeiros traz vantagens para alguns investimentos e acabam se tornando mais atrativas para alguns perfis em especial. 

Por exemplo, por mais que sempre se incentive a ter a maior parcela do capital em renda variável, reservar uma parcela em renda fixa é muito interessante. 

Dentro desses ativos pode-se buscar opções com maior rentabilidade como os debêntures, CRI’s, ou até mesmo os CDB’s e LCI’s. 

Nestes casos, há corretoras com plataformas especializadas em investimentos de renda fixa, com um portfólio de produtos financeiros bastante robustos.

Esses portfólios apresentam diversas opções para o investidor, possibilitando que esse tenha acesso a produtos diferenciados e com menores taxas. 

Em contrapartida, há corretoras que oferecem taxas mais atrativas para renda variável, onde algumas isentam o pagamento de para fundos imobiliários ou cobram taxas bem menores para ações.

Essas corretoras são ideais para quem possui a maior parcela do portfólio em renda variável, e principalmente para aqueles que estão começando com volumes financeiros menores, já que as taxas fazem toda a diferença na rentabilidade do investimento. 

Via regra geral, a dica é que o investidor iniciante crie uma conta em pelo menos duas corretoras ao mesmo tempo.

9. Há uma composição ideal de renda fixa e variável? 

Consultores sugerem que a carteira ideal deve ter exposições de 80% a 90% a fundos de renda fixa, alocados em uma pequena parcela em fundos de multimercado, e exposições de 10% ou menos em ações. 

Porém, com essa composição será difícil para o investidor iniciante conseguir chegar a tão sonhada independência financeira, principalmente com a tendência de juros baixos no país.

Então, lhe dizemos que não há uma composição ideal de renda fixa e variável, pois a melhor composição será aquela que se encaixar em seu perfil de investidor e lhe passar mais conforto. 

Além disso, deve-se sempre se considerar o tamanho da carteira de ativos. Para carteiras com volumes financeiros maiores, é melhor investir em BDR’s, por exemplo, ou em instrumentos de renda fixa como debêntures ou CRI’s.

Já para aqueles com carteiras menores, não faz muito sentido ter esses ativos, visto que normalmente exigem volumes financeiros maiores. 

Entretanto, geralmente, uma carteira previdenciária formada por 50% ações, 30% FII’s, 15% em renda fixa e 5% em BDR’s, seria algo próximo do ideal.

Essa composição seria capaz de apresentar retornos muito acima da média em longo prazo e com menor volatilidade.

Além disso, ainda proporcionariam ao investidor, através da alocação em renda fixa, a possibilidade de aproveitar momentos de crise para investir de maneira mais intensa.

10. Pode-se criar uma carteira previdenciária apenas com fundos imobiliários? 

Sim, é possível! Assim como existem muitos investidores que vivem unicamente dos aluguéis, também é viável um investidor viver dos rendimentos de seus fundos imobiliários.

No caso dos fundos imobiliários, inclusive, se torna uma estratégia muito mais atrativa e coerente, tendo em vista que com um patrimônio formado por esse tipo de aplicação o investidor consegue garantir uma diversificação muito maior para sua carteira.

Além disso, o investidor também tem acesso a empreendimentos altamente competitivos, sem precisar de elevados volumes financeiros para tal investimento. 

Através de um único fundo imobiliário, por vezes, consegue-se ter participação em inúmeras lajes corporativas em prédios e regiões diferentes.

Esses prédios possuem dezenas de inquilinos diferentes, com os mais variados perfis e que atuam em setores distintos, o que seria algo inimaginável para a maior parte dos investidores pessoa física que investem em imóveis diretamente.

Já se considerarmos o que seria mais saudável, ou seja, uma carteira diversificada, com algo em torno de dez a quinze fundos imobiliários, por exemplo, essa provavelmente conseguiria proporcionar ao investidor a possibilidade de se expor talvez a dezenas ou centenas de imóveis, com perfis e operações diferentes, como shoppings, hospitais, universidades, lajes corporativas, lojas de rua, entre outros. 

Ou seja, é sim possível ter uma carteira previdenciária 100% formada por fundos imobiliários e estar bastante diversificado e protegido com essa carteira.

Porém, uma ressalva é que apesar de sim, ser viável ter uma carteira com esse perfil, essa não é recomendada. 

O motivo é simples: concentrando todos seus recursos em fundos imobiliários, o investidor acaba excluindo a possibilidade de obter rentabilidades ainda maiores e perdendo a chance de investir em ótimos negócios em ações, por exemplo.

Isso tende a reduzir seu potencial de retorno em longo prazo e até mesmo seus dividendos, pois as ações tendem a crescer e entregar lucros e dividendos cada vez maiores. 

Por isso, a carteira previdenciária que se considera ideal deve ser composta por ambos os ativos: ações e fundos imobiliários.

Portanto, esperamos que com este guia de perguntas e respostas, você investidor iniciante tenha esclarecido algumas de suas dúvidas!

Lembre-se de que você não é obrigado a dominar o mundo dos investimentos, mas com bastante leitura e informação, aos poucos vai criando experiência para investir seu dinheiro de forma segura e rentável!