Em épocas de incertezas financeiras, os investimentos em renda fixa podem nos trazer a segurança que tanto pedimos ao aplicar nosso dinheiro, não é mesmo? Isso porque, por mais que a rentabilidade seja baixa, os riscos também. Basicamente, estamos falando de um tipo de investimento tradicional do mercado financeiro em que sabemos, antes mesmo de investir, qual será a regra de remuneração.

Mas, você já parou para pensar sobre o que são investimentos em renda fixa? Bom, de modo geral, podemos dizer que você irá emprestar dinheiro para um emissor (bancos ou financeiras, por exemplo) e receber de volta o seu capital acrescido dos juros do período em que seu dinheiro ficou investido.

Normalmente, os títulos de renda fixa têm seu rendimento atrelado à indexadores referência, como a taxa Selic, o CDI e o IPCA. Por exemplo, se você investir em um CDB que rende 100% do CDI, e o CDI do período inteiro em que seu dinheiro ficou investido foi de 6,25% ao ano, sua aplicação rendeu 6,25% nesse ano, sem descontar ainda o Imposto de Renda.

Outra característica dos tipos de investimentos em renda fixa é que, com exceção da caderneta de poupança (onde o investimento se dá diretamente pelo próprio banco em que você tem conta), os demais exemplos podem ser feitos por corretoras, o que facilita para que qualquer pessoa possa investir, já que não é necessário ser cliente de uma determinada instituição bancária. 

Entretanto, com tanta opção, onde aplicar seu dinheiro? Qual o melhor investimento em renda fixa atualmente? Há tipos mais rentáveis que outros? As dúvidas são muitas e é por isso que preparamos este guia! Confira a seguir quais são os principais investimentos em renda fixa, como funcionam, quanto rendem e quais os riscos, para assim escolher a aplicação que mais se encaixa em seu perfil e necessidades! Vamos lá?!

Conta Poupança

Quando pensamos em como investir em renda fixa, a poupança sempre foi, e muito provavelmente sempre será, o investimento mais utilizado pelos brasileiros, tendo em vista a facilidade e o baixíssimo risco. 

Contudo, esse é um péssimo investimento e é justamente por isso que muitos investidores nem a consideram como tal… Não seja seduzido por nomes bonitos. Existem Poupanças com tudo quanto é nome: Poupança Ouro, Hiper Poupança, Poupança Premiada e etc. Adivinha, qual rende mais? Isso mesmo: nenhuma! Todas rendem igual, rendem da mesma forma. E rendem pouco, muito pouco.

Por ser oferecida pelos maiores bancos do país, para abrir uma conta Poupança é bem simples, basta ir ao seu gerente do banco e solicitar ou, já é possível também, abrir conta pela internet. 

Mas, há algumas vantagens, como poder realizar aportes sempre que quiser, não é necessário ser maior de idade, assim como não é preciso ter uma conta corrente para abrir uma poupança e claro, é um investimento que possui garantia do FGC.

Quanto rende?

Até 03/05/2012, a conta poupança rendia 0,5 a.m. + Taxa Referencial (TR), independente da variação da taxa Selic. 

A partir de 04/12/2012, com a nova regra de remuneração, o cálculo de rendimento é o mesmo até a Selic chegar a 8,5% a.a. 

Com a Selic igual ou menor a 8,5% a.a., o rendimento é 70% da taxa Selic mensalizada + TR. 

O rendimento do rendimento da poupança antiga, mesmo que tenha sido depois do dia 04/12/2012, continua sob as regras antigas. 

Resumindo: a poupança nova (atual) rende menos que a antigas.

Os investimentos em renda fixa rendem todo dia útil, porém a poupança rende somente nas datas de “aniversário” do depósito. 

Se você colocar R$50,00 na sua conta poupança no dia 01/03/2021, o dinheiro somente irá render no dia 01/04/2021.

Quais os custos?

Não há custo em investir na poupança. Esse é um dos investimentos em renda fixa isentos de IR, assim como não há incidência de IOF.

Tesouro Direto

Criado em 2002, o Tesouro Direto é uma aplicação não garantida pelo FGC e tem por objetivo arrecadar fundos para o pagamento da dívida pública. 

Dessa forma, você pode emprestar o seu dinheiro ao governo que ele lhe devolverá o capital investido acrescido dos juros em uma data futura. 

Uma das maiores dificuldades que você pode encontrar para investir no Tesouro Direto é a grande quantidade de títulos oferecidos.

Porém, você deve ter em mente sempre um objetivo e aí, ficará muito mais fácil escolher em qual investir. 

Quanto rende?

A rentabilidade do Tesouro Direito varia de acordo com o investimento escolhido, ou seja, os pré-fixados e os pós-fixados.

Os pós-fixados são investimentos em renda fixa que, apesar de já acordado o rendimento, não é possível prever exatamente quanto ele renderá até o vencimento. 

Investimentos assim são atrelados a índices como a Selic, o IPCA ou outros. Por esse motivo, os cenários políticos e econômicos podem influenciar no rendimento tanto para mais, quanto para menos. Por exemplo: 

  • Tesouro IPCA+ 2024 (indexado ao IPCA) 
  • Tesouro Selic (indexado à Selic)

Já os pré-fixados são aqueles onde sabemos exatamente quanto irá render até a data de vencimento.

Esses fundos de investimentos em renda fixa não são influenciados pelo cenário político e econômico do país e geralmente, são expressos em porcentagem ao ano.

Por exemplo:

  • Tesouro Pré-Fixado 2021
  • Tesouro Pré-Fixado com juros semestrais 2027

Para saber onde investir em renda fixa no Tesouro Direto, acesse o site do Tesouro Direto e confira os preços e taxas dos títulos disponíveis no mercado.

Quais os custos?

Existem quatro possíveis custos nesse tipo de investimento em renda fixa, sendo eles:

  • Imposto sobre Operações Financeiras (IOF);
  • Imposto de Renda (IR);
  • Taxa de Custódia da BM&F Bovespa;
  • Taxa de Administração.

O IOF é cobrado através de tabela regressiva até os primeiros 30 dias. A cobrança é somente sobre o rendimento e, após os 30 dias este imposto não é mais cobrado.

No 1° dia a cobrança é de 96% do rendimento e no 29° dia essa cobrança é de 3% sobre o rendimento.

O IR é cobrado também através de tabela regressiva. Até 180 dias, o valor cobrado é 22,5%. De 181 a 360 dias, 20%. De 361 a 720 dias, 17,5% e acima de 720 dias, 15%. A alíquota devida é incidida sobre o rendimento. 

A Taxa de Custódia cobrada pela B3 (BM&F Bovespa) é de 0,30% a.a. sobre o valor do título. Ela é cobrada referente aos serviços prestados.

E, por fim, a Taxa de Administração que é cobrada pelas corretoras pela administração do título. Porém, muitas hoje em dia não cobram mais.

CDB 

O Certificado de Depósito Bancário (CDB) também é um dos tipos de investimentos em renda fixa bastante procurado pelos brasileiros, sendo um dos mais populares. 

De forma resumida, o investidor empresta dinheiro ao banco e recebe de volta, depois do período acordado, o capital acrescido dos juros. 

É considerado tão seguro quanto a poupança, mas o risco vai depender do banco emissor. Contudo, fique tranquilo, pois o CDB possui garantia do FGC.

Quanto rende?

Assim como no Tesouro Direto, podemos encontrar no mercado financeiro títulos pré-fixados e pós-fixados. 

Um título pós-fixado pode ser expresso assim: 

  • CDB 100% CDI: rende 100% do CDI (que atualmente está em 2,75% a.a.), logo o rendimento deste título será 2,75% a.a. Desse valor depois deve ser retirado o Imposto de Renda.
  • CDB IPCA + 3,50% a.a.: significa que o rendimento será o IPCA acrescido de 3,50% ao ano. É um título conservador, mas excelente, pois você terá a garantia de ganhar 3,50% acima da inflação.

Um título pré-fixado pode ser expresso assim:

  • CDB pré-fixado 10%: você irá saber quanto renderá até o final da aplicação, no exemplo, 10% ao ano.

Quais os custos?

Existem dois possíveis custos nesses investimentos de renda fixa, sendo eles: 

  • Imposto sobre Operações Financeiras (IOF);
  • Imposto de Renda (IR).

Os dois tipos de impostos, nesse caso, são cobrados igualmente ao que foi mencionado no  Tesouro Direto.

LCI/LCA

A Letra de Crédito Imobiliário é um título lastreado em créditos imobiliários e a Letra de Crédito do Agronegócio é lastreada em créditos do agronegócio.

Assim, quando investimos nosso dinheiro nesses títulos estamos estimulando os setores de imóveis e de agronegócios. 

Basicamente, os recursos do empréstimo serão destinados para financiar o setor imobiliário no caso da LCI e o setor de agronegócio no caso da LCA. 

Os emissores desses títulos são os bancos e a LCI é mais comum de se encontrar do que a LCA. Ambos investimentos em renda fixa possuem garantia do FGC.

Quanto rende?

Tanto o LCI quanto o LCA podem ter títulos pré e pós-fixados. 

No caso dos pré-fixados, a taxa de juros anual é definida na hora da compra do título escolhido.

A vantagem é que se a Selic apresentar uma queda de 3 pontos percentuais ao longo da aplicação, seu rendimento não é afetado.

Já para os pós-fixados, os títulos de LCI e LCA funcionam conforme os CDB’s pós-fixados. 

Podemos ter, por exemplo, uma LCI 94% CDI e uma LCI IPCA + 4,55%. A diferença entre uma LCI e um CDB é o destino do dinheiro (que não influencia para o investidor) e o fato de que não incide nenhum imposto sobre a LCI. 

Isso também não significa que uma LCI sempre renderá mais do que um CDB, pois as porcentagens de rendimento dos CDB’s normalmente são superiores as da LCI para compensar o Imposto de Renda. 

Por isso, na hora de pensar sobre como investir em renda fixa, sempre é necessário fazer as contas para saber qual renderá mais.

Quais os custos?

Esses dois títulos também fazem parte dos investimentos em renda fixa isentos de IR ou quaisquer outros impostos.

Você investe neles e, no dia útil seguinte, seu dinheiro já está rendendo e sem incidência de impostos algum.

Conclusão

Portanto, agora você já conhece mais sobre os principais investimentos em renda fixa aqui no Brasil, certo?!

Assim, ficará muito mais fácil saber onde investir em renda fixa, considerando sempre a relação rentabilidade-risco.

Então, analise cada uma dessas aplicações, considere qual a melhor opção para sua carteira de ativos e pronto, comece a investir, ou seja, fazer seu dinheiro trabalhar para você!

Se ainda restaram dúvidas, acesse um conteúdo exclusivo sobre os principais tipos de investimentos em renda fixa, mostrando suas características, vantagens e desvantagens!